Automobilismo


Filho de um apaixonado por corridas, Mario Haberfeld nasceu em 25 de janeiro de 1976 herdando a mesma vocação. Seu primeiro esporte foi o tênis, mas a convivência constante nos boxes de Nelson Piquet, amigo próximo da família, fez com que os karts rapidamente se tornassem sua principal paixão.

Nessa modalidade, conquistou o título pan-americano em 1992 e o campeonato paulista em 1993. A transição para os carros veio em seguida e, após algumas corridas na Fórmula Ford brasileira, decidiu competir na versão inglesa da categoria em 1995, mudando-se para Cambridge, na Inglaterra. Foi um período desafiador, marcado por intenso amadurecimento pessoal e profissional.

Em 1996, avançou para a Fórmula Renault e, nos anos de 1997 e 1998, competiu na Fórmula 3 Inglesa — então a mais importante e competitiva categoria de acesso à Fórmula 1. Pilotando para a equipe de Jackie Stewart, um de seus grandes ídolos, conquistou o título em 1998, mesmo tendo iniciado a segunda metade do campeonato com uma desvantagem de 54 pontos para o líder.

Nesse período, contou com o apoio fundamental do engenheiro Andy Miller, que se tornaria um grande amigo. Em 1999, ingressou na Fórmula 3000 como piloto contratado da McLaren, que mantinha uma equipe júnior na categoria. Nos anos seguintes, correu pelas equipes Fortec (2000), Super Nova (2001) e Astromega (2002), temporada em que obteve seus melhores resultados. A sétima colocação no campeonato e as poucas presenças no pódio não refletiram plenamente o desempenho ao longo do ano, marcado, entre outros momentos, por um inesquecível segundo lugar em Interlagos — seu primeiro pódio na F-3000.

Onçafari


Porém, foi fora das pistas que desenvolveu um propósito mais profundo, moldado pela sua experiência direta com a natureza. Em 1989, aos 12 anos, Mario viajou com a família para a Tanzânia. O contato com a vida selvagem africana durante um safári criou uma ligação mais forte com a natureza e impactou a forma de como se relacionaria com ela.

Ao longo dos anos, retornou diversas vezes à África, aprofundando sua admiração pela relação entre preservação e a vida selvagem. Em algum momento desse período, a consciência de que a vida é finita passou a orientar suas escolhas, levando-o a investir em sua outra paixão. Em 2012, ao lado da esposa, partiu para a Índia, onde o convívio entre humanos e animais ampliou sua compreensão sobre coexistência e respeito à natureza.

Foi preciso, no entanto, voltar o olhar para o próprio país. Em 2007, ao conhecer a Amazônia, Mario se deparou com um Brasil até então desconhecido. Mesmo sem avistar claramente sua fauna, compreendeu a urgência de preservar os ecossistemas que sustentam a vida e o equilíbrio ambiental.

O Pantanal consolidou esse chamado: atuar de forma direta na conservação da fauna brasileira. Na região de Miranda (MS), na Caiman Pantanal, ao lado de parceiros e guiado pela vivência em campo, encontrou um caminho possível para integrar conservação, ciência e turismo.

Dessa experiência nasceu o Onçafari, uma organização dedicada à conservação da biodiversidade brasileira por meio da proteção de áreas naturais e do fortalecimento socioeconômico das comunidades locais.